A prisão do empresário Adair Antônio de Freitas Meira, em São Paulo, durante uma investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro, trouxe à tona conexões que alcançam diretamente contratos públicos no Tocantins. Ele é apontado como fundador da Renapsi, entidade responsável pela execução de programas voltados à juventude no estado, como o Jovem Trabalhador, modelo que sucedeu ações do ProJovem.
A investigação conduzida em São Paulo apura a movimentação de milhões de reais por meio de empresas e organizações. Apesar da gravidade das suspeitas, até o momento não há confirmação oficial de que os contratos executados no Tocantins estejam diretamente ligados ao esquema investigado.
Contrato no Tocantins já foi alvo de suspeitas
No Tocantins, a atuação da Renapsi já havia entrado no radar de órgãos de controle antes mesmo da prisão do empresário. Durante o período em que o então vice-governador Laurez Moreira assumiu interinamente o comando do Estado, o contrato do programa foi suspenso para reformulação, após a identificação de inconsistências financeiras que poderiam chegar a R$ 25,7 milhões.
A medida levou à paralisação do programa e à proposta de reformulação da política pública voltada aos jovens. Na época, o então governador Laurez propôs alterar a gestão do programa e ampliar o valor destinado por aluno.
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Retomada sob gestão Wanderlei
Com o retorno do governador Wanderlei Barbosa ao cargo, o cenário mudou. O governo estadual optou por retomar o programa, mantendo a parceria com a própria Renapsi.
A continuidade foi formalizada por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público, garantindo a permanência de mais de 1,5 mil jovens nas atividades.
Situação atual do contrato (2026)
Levantamento em documentos oficiais mostra que o contrato segue ativo em 2026, mas com caráter específico:
- Novo contrato firmado em março de 2026
- Valor aproximado de R$ 24,2 milhões
- Vigência até 31 de dezembro de 2026
- Objetivo: manter apenas os contratos já existentes até o encerramento, sem expansão do programa
Ou seja, o acordo atual não amplia o projeto, mas garante a conclusão das atividades já iniciadas.
Paralelamente, o governo estadual lançou um novo programa de qualificação, substituindo gradualmente o modelo anterior após as suspeitas levantadas.
Conexões e repercussão
A prisão de Adair Meira reacende o debate sobre a gestão de recursos públicos e a contratação de entidades privadas para execução de programas sociais. Embora ele não ocupe cargo formal na Renapsi atualmente, sua ligação histórica com a instituição amplia a repercussão do caso.
Especialistas apontam que o desdobramento das investigações pode influenciar futuras decisões administrativas e possíveis revisões contratuais no Tocantins.
O caso reúne três elementos centrais:
- a prisão do fundador da entidade executora
- um contrato público já questionado por possíveis irregularidades
- e a manutenção do programa pelo atual governo
Apesar disso, não há, até o momento, comprovação de ligação direta entre a investigação criminal em São Paulo e os recursos aplicados no Tocantins, ponto que deve ser acompanhado nos próximos desdobramentos.

