Desde a Segunda Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco 1992, já ocorreram mais de 150 operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Brasil, muitas delas em favelas do Rio de Janeiro.
O documentário Cheiro de Diesel, que estreou na quinta-feira (2), aborda como essas operações criaram um cenário de terror e violações dos direitos humanos em favelas cariocas durante os megaeventos entre 2014 e 2018.
Sob o pretexto de controlar a segurança pública dois meses antes da Copa do Mundo sediada no Brasil, um decreto presidencial autorizou a instauração de uma GLO na capital fluminense.
Batizada de Operação São Francisco, a intervenção levou 2,5 mil homens das Forças Armadas para 15 favelas do Complexo da Maré, na zona norte da cidade.
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Com duração oficial de 14 meses, e gastos estimados R$ 350 milhões aos cofres públicos, a ocupação acumulou denúncias por parte dos moradores de torturas, coerções, assassinatos, invasão a residências e outras irregularidades.
O documentário, dirigido pelas jornalistas Natasha Neri e Gizele Martins, aborda esses abusos, tendo como centro da narrativa o relato de moradores que vivenciaram esses períodos e seus desdobramentos.
“No primeiro momento, foi nos vendido a ideia de segurança. Mas no primeiro dia de invasão do Exército, os moradores já começaram a mudar de opinião, pois só naquele dia mais de 20 ou 30 crianças foram detidas porque estavam nas ruas da favela. Casas foram invadidas. Organizações sociais invadidas”, conta Gizele Martins, que também é moradora da Maré.

