Em entrevista concedida nesta segunda-feira (23), em Palmas, o prefeito de Araguaína, Wagner Rodrigues (UB), lançou luz sobre um ponto sensível da sucessão estadual: a falta de definição clara no grupo governista em torno da pré-candidatura da senadora Professora Dorinha (UB) ao Governo do Tocantins. Ao ser questionado pela jornalista Maju Cotrin, Wagner foi direto ao afirmar que enxerga uma “construção nebulosa” e carente de transparência quanto aos apoios e à liderança efetiva do projeto.
A fala, embora cuidadosa, revela incômodo interno. Wagner reafirmou convicção pessoal de que Dorinha sempre foi o nome natural do grupo, mas ponderou que as “costuras” políticas ainda não transmitiram segurança. O ponto central de sua crítica está na indefinição: “É o Amélio? É Dorinha? Ou é mais alguém?”, questionou. Nos bastidores, a dúvida sobre quem de fato lidera o processo fragiliza a narrativa de unidade — elemento decisivo em disputas majoritárias.
O alerta de Wagner toca em um aspecto estratégico: grupos divididos tendem a perder tempo e energia em disputas internas enquanto adversários consolidam palanques e ampliam alianças. A percepção de “puxa para lá, puxa para cá”, nas palavras do prefeito, pode gerar ruído junto a prefeitos, deputados e lideranças regionais que aguardam sinal claro para definir posicionamento. Em política, a ausência de clareza muitas vezes pesa mais do que a divergência aberta.
O cenário, portanto, exige definição rápida. A pré-candidatura de Dorinha depende não apenas de intenção, mas de demonstração concreta de coesão. O eleitorado observa, as bases aguardam e o calendário eleitoral avança. A pergunta que se impõe é objetiva: haverá convergência real ou o grupo continuará operando sob incertezas? Nos próximos movimentos, mais do que discursos, serão os gestos políticos que indicarão o rumo da disputa.

