A única coisa errada nesse país é a taxa de juros estar acima de 12%. Essa é a coisa errada. Não há nenhuma explicação.
Lula, em entrevista à Rede Globo, após o último Copom
Sem poder reclamar
A decisão foi unânime entre os membros do comitê, do qual Galípolo faz parte. Na ata da reunião de dezembro, o comitê avisou ainda que deve realizar mais duas elevações de 1 ponto percentual nas reuniões de janeiro e março, o que faria a Selic chegar a 14,25%, para tentar domar a inflação.
É esperado pelo Planalto que Galípolo siga uma linha mais parecida com a do governo, mas não há garantia. Como ele e o próprio presidente já ressaltaram, o economista terá autonomia à frente do banco, sem interferência do ex-chefe.
Galípolo, inclusive, tem acenado para o lado oposto de Lula. Na última entrevista coletiva do ano, ele rejeitou a tese, defendida pelo presidente, de que o Brasil vive um “ataque especulativo”. “Não é correto tentar tratar o mercado como um bloco monolítico, uma coisa só, coordenada”, disse o economista.
Lula pode viver um impasse. Como Galípolo é uma indicação sua ao BC, sob a alcunha de “menino de ouro”, o presidente não poderá recorrer às diversas críticas que fez a Campos Neto, tampouco poderá usar o argumento de que está governando com indicados por opositores.