A fragilidade política do governador Wanderlei Barbosa volta a ficar evidente em mais um episódio de desgaste com a Assembleia Legislativa. Diante de um impasse envolvendo veto a mudanças aprovadas pelos próprios aliados, o governo demonstra falta de articulação e risco concreto de derrota.
Nos bastidores, a avaliação é de que o Executivo perdeu o controle da própria base. O veto do governador atinge um projeto que tramitou normalmente, recebeu aval nas comissões e foi aprovado em plenário com apoio integral de deputados governistas, inclusive em sessão conduzida pelo filho do governador, Léo Barbosa.
O cenário expõe uma contradição política: o mesmo grupo que aprovou o texto agora é pressionado a sustentar um veto que partiu do próprio governo. Para agravar, todo o processo legislativo foi acompanhado por assessores jurídicos do Executivo e da Casa Civil, o que levanta questionamentos sobre a mudança de posição posterior.
Enquanto isso, o Palácio parece deslocado da realidade política. Em vez de agir para recompor sua base e garantir votos suficientes para manter o veto, o governo se envolve em discussões paralelas, como a recente recomendação do Ministério Público, que, por si só, não tem efeito imediato e pode acabar sendo judicializada.
Com prazo até o dia 2 de maio para a votação, o tempo corre contra o Executivo. A tendência, segundo fontes do Legislativo, é clara: caso o presidente da Assembleia, Amélio Cayres, leve o veto ao plenário, o governo corre sério risco de sofrer uma derrota expressiva.
A falta de iniciativa política é apontada como fator central desse cenário. Em momentos decisivos, espera-se liderança, articulação e capacidade de diálogo, elementos que, neste caso, têm sido considerados insuficientes.
O episódio não apenas expõe a dificuldade do governo em conduzir sua agenda dentro do Parlamento, como também reforça um desgaste político crescente, marcado por descompasso entre decisões do Executivo e a realidade da sua própria base aliada.
Por: Bruno Evangelista
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