O sonho de vestir a farda começa a ganhar forma para candidatos aprovados no concurso da Polícia Militar do Estado do Tocantins. Mais do que a conquista de uma vaga, cada trajetória representa renúncias, disciplina e apoio familiar, marcando o início de um compromisso de vida com a segurança pública. Mesmo ainda nas etapas de avaliação que antecedem o Curso de Formação, os aprovados já carregam o peso da responsabilidade e a expectativa de integrar a corporação.
O concurso, organizado pela Fundação Getúlio Vargas, ofertou 600 vagas para soldados, 20 vagas para soldados músicos e 60 para oficiais. Ao todo, 27.768 candidatos disputaram o Curso de Formação de Praças e 6.816 concorreram ao Curso de Formação de Oficiais, números que evidenciam a alta concorrência e o nível de dedicação necessário para alcançar a aprovação.
Uma ponte que separa estados e aproxima sonhos
A história de André Felipe de Araújo Silva, de 24 anos, mostra como a geografia pode influenciar escolhas e oportunidades. Natural de Conceição do Araguaia, no Pará, ele vive em uma região de divisa com o Tocantins, onde a travessia do rio Araguaia representa a proximidade entre a realidade atual e o futuro desejado.
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Com ensino médio completo, decidiu concorrer ao concurso da PMTO pela proximidade familiar e pela oportunidade profissional. “Atravessando o rio, praticamente estou em casa. Isso foi uma das principais motivações para fazer a prova”, explica.
Durante a preparação, conciliou dois empregos. Trabalhava em uma olaria (fazendo tijolos) durante o dia e em um hotel à noite, aproveitando os intervalos para estudar. “Foi bem puxado. O maior desafio foi conciliar trabalho e estudo, mas consegui manter a constância”, relembra.
Para o futuro policial militar, o compromisso está ligado aos valores pessoais. “Quero contribuir com dedicação, disciplina e espírito de servir. A verdadeira segurança se constrói com trabalho honesto e preparo constante”, ressalta.
Transformando admiração em missão
Natural de Palmas, Sara Elisabeth, de 23 anos, representa a nova geração que alia formação tecnológica ao desejo de servir. Graduada em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e atuando há cerca de cinco anos como desenvolvedora, ela encontrou na carreira militar a oportunidade de transformar admiração em missão.
Filha do Sargento PM Otávio César, policial militar no Tocantins, e ex-aluna do Colégio Militar, Sara cresceu imersa no ambiente militar. “Amo o Tocantins e a minha cidade. Sempre admirei o trabalho da PM e, desde criança, tenho o desejo de fazer parte dela e contribuir com a segurança da população”, afirma.
A influência do pai teve papel decisivo na construção de valores. “Ele sempre foi exemplo de honestidade e proteção. Cresci observando isso e desejando proporcionar às pessoas a mesma sensação de segurança que tive na minha família”, destaca. Para Sara, a aprovação simboliza o primeiro passo de um sonho maior. “Fazer parte de uma instituição que admiro há tantos anos é, sem dúvida, a realização de um sonho”, conclui.
“Quero liderar pelo exemplo”
A trajetória da soldado PM Isadora Santos Vieira, de 23 anos, natural de Taguatinga, revela como a experiência na base da corporação pode impulsionar novos desafios. Formada em Segurança Pública pelo Instituto Federal do Tocantins e acadêmica de Direito, ela atua no 17º Batalhão da Polícia Militar (17º BPM), em Luzimangues, diretamente na atividade operacional como Soldado. A militar foi aprovada, dentro das vagas, para o Curso de Formação de Oficiais (CFO).
Para ela, a experiência prática proporcionou compreensão real da corporação e do papel da liderança. “Aprendi na prática o valor do respeito, da disciplina e da liderança pelo exemplo. Independente da função, o propósito é único: servir à sociedade”, afirma.
Para o futuro, Isadora demonstra clareza sobre sua missão. “Quero liderar pelo exemplo, valorizando o policial militar e fortalecendo o trabalho em equipe, contribuindo com estratégias eficientes para a segurança pública”, ressalta.
“De malas prontas” para construir uma nova história no Tocantins
Natural de Imperatriz, no Maranhão, João Vitor, de 25 anos, atravessa estados movido por um sonho de infância. Com ensino superior completo, ele escolheu a Polícia Militar do Tocantins pela vocação pessoal e pela reputação da instituição. “Desde pequeno tenho essa vontade de ser policial militar. Além disso, a corporação é muito bem conceituada, reconhecida como uma polícia justa e que representa a população”, afirma.
A preparação começou antes mesmo do edital e durou cerca de sete meses, conciliando estudos com trabalho formal. “Houve abdicação do lazer, da convivência com a família e investimento financeiro com cursos e viagens. Foi um período de muita disciplina”, conta.
Atleta amador e praticante de corrida, ciclismo e natação, João Vitor também buscou capacitações na área de segurança, incluindo cursos de bombeiro civil. Preparação física e mental fazem parte do seu projeto de vida.
Questionado sobre a mudança para o Tocantins, ele responde com entusiasmo que já está “de malas prontas” para iniciar essa nova etapa.
Rumo à corporação
As histórias de André, Sara, Isadora e João fazem parte do universo de mais de 34 mil inscritos no concurso da Polícia Militar do Tocantins. Eles se aproximam de uma corporação que, nos últimos anos, avançou em estrutura e capacitação, com modernização de equipamentos, viaturas, embarcações e recursos para operações especializadas, além de aperfeiçoamento técnico dos militares.
O preparo individual dos candidatos, aliado à estrutura reforçada, deve ampliar a presença da PMTO nas ruas, fortalecer o efetivo no interior do estado e contribuir de forma mais efetiva para a segurança da população Tocantinense.
Revisão Textual: Luana Barros

